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Entenda por que vacinar não é sinônimo de imunizar

Existe uma grande diferença entre vacinar e imunizar. Vacinar o animalzinho é apenas o ato de aplicar a vacina. Já imunizar é uma coisa bem diferente: é fazer com que ele desenvolva defesas contra determinadas doenças.




Entenda melhor: se o animal não estiver preparado para receber uma vacina, ele apenas será vacinado, mas não imunizado, e por isso não desenvolverá as defesas necessárias contra uma determinada doença. É aí que entra a importância da vacinação com um Médico Veterinário, que fará uma avaliação clínica detalhada do animal para verificar se este pode ser imunizado. 

Uma imunização bem sucedida necessita de pelo menos três pré-requisitos básicos:

1) Animal saudável, suscetível e capaz de responder ao estímulo vacinal;
2) Uma vacina potente, viável e segura e armazenada corretamente;
3) Aplicação apropriada.

Quando uma vacina aparenta ter falhado é porque um ou mais destes pré-requisitos não foram cumpridos.

Entretanto, devemos sempre lembrar que a resposta imune, por ser um processo biológico, nunca confere uma proteção absoluta e nunca é equivalente em todos os membros de uma população vacinada.

Como a resposta inune é influenciada por um grande número de fatores genéticos e ambientais, a variação de respostas imunes em uma grande população de animais aleatória tende a seguir uma distribuição normal.
Isso significa que a maioria dos animais responde aos antígenos através da montagem de uma resposta imune média, alguns montarão uma resposta excelente e uma pequena proporção montará uma resposta imune muito fraca (Curva de Gauss).

1) Quando o animal é a fonte do problema:
* Se o animal já estiver incubando a doença, ou seja, a vacina foi aplicada tarde demais (lembrar que vacina é apenas uma prevenção);

* Se o animal for incapaz de desenvolver uma resposta imune, pois ele é geneticamente incapaz de responder ou porque ele nasceu imunotolerante;

* Se a resposta imune normal for suprimida devido algum distúrbio no metabolismo de proteínas. Imunossupressão desta natureza pode ser causada por uma alta carga parasitária, estresse de transporte, fadiga, prenhez ou calor / frio extremo;

* A imunização passiva prévia de um animal jovem que recebeu anticorpos maternais causará interferência na imunização, via vacinação;

* Tratamento concomitante com outras drogas, tais como corticosteróides, o sistema imune pode não estar hábil para reagir contra o antígeno, pois a resposta imune está suprimida.

2) Quando a vacina é a fonte do problema:
* Vacina inviável ou insuficientemente potente para estimular uma resposta protetora;
* Mudança do antígeno animal pelo decorrer dos anos, sem a atualização de novas cepas virais.
Estes eventos são raros de acontecer devido o controle pelos órgãos regulamentadores do país. 

3) Quando a aplicação é a fonte do problema:
* A estocagem deve ser feita de acordo com o rótulo, para que a vacina mantenha sua potência até a data de validade;
* O manuseio da vacina, agulha e seringa podem influenciar a eficácia e segurança da vacina;
* A aplicação deve ser feita apenas pelas vias especificadas nas instruções da embalagem. O tipo de injeção e o local de aplicação afetam a taxa de absorção e o nível de resposta imune.

Entre outros problemas pode ocorrer a morte de uma vacina viva como resultado de um mau armazenamento, do uso de antibióticos em conjunto com as vacinas bacterianas vivas, do uso de produtos químicos para esterilizar as seringas ou do uso excessivo de álcool enquanto se desinfeta a pele.

Mais uma vez fica o alerta:

A vacinação pode ser realizada por qualquer pessoa, mas imunização só por um Médico Veterinário.


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